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Livro de Papel ou Digital?
Certo dia, eu estava no banco quando encontrei meu amigo Nildo, dos tempos de colégio. Como sempre ele estava lendo um livro. Essa é sua principal característica. Ele lê em todos os momentos: andando pela rua, na fila do banco, no ônibus, no clube, em todos os lugares. Então, comentei: “você não deve ter mais lugar para guardar tantos livros em sua casa”. E, para minha surpresa, ele me disse que não tinha um único livro em casa, pois assim que lê os repassa. “A cultura tem que circular”, disse-me fazendo um gesto com o dedo indicador.
Naquele exato momento, dei-me conta de meu egoísmo. No mesmo dia, pedi ajuda a meu pai e enchemos meu carro com cerca de 400 livros. Doei todos para a Biblioteca Pública Municipal de Coronel Fabriciano e nunca mais guardei um único exemplar. Segui o exemplo do Nildo.
Quando pela primeira vez ouvi falar dos leitores digitais fiquei absolutamente fascinado, pois caberiam não só os 400 volumes que lotaram meu carro, mas várias vezes isso. E com a internet então, aí sim a cultura iria circular. De imediato, tornei-me um entusiasta da idéia.
Entretanto, sempre me aparece alguém para dizer (sem que eu pergunte): “Ah Toni, mas eu adoro pegar nos livros, sentir o cheiro do papel. Eu nunca vou trocar, e o livro de papel jamais vai acabar.”
Ora, se vai acabar eu não sei. Mas é óbvio que os leitores digitais vão facilitar fantasticamente a vida das pessoas. Assim como outras invenções. Inclusive a dele, o livro de papel.
Quanto a essa paixão por folhear um livro de papel, eu creio que ela vai desaparecer no dia em que morrer a última pessoa dessa geração. Assim como desapareceu a paixão por viajar de charretes em vez de carros ou de enviar uma carta em vez de um e-mail. O triste é que essas pessoas gostariam que, por causa da paixão pessoal delas, a humanidade ficasse estagnada, sem jamais experimentar nada de novo. Eu fico com as novidades. Sempre.
Com um forte abraço,
Toni Vaz
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Não Há Deficientes no Brasil
Escrito por Toni Vaz | 1 comentárioAcabei de receber a simpática visita da recenseadora do IBGE. Uma universitária bem preparada que, além deste trabalho, passa roupas para pagar os estudos.
Fez todas as perguntas de praxe. Tudo terminado, perguntei: “não vai registrar que nessa casa tem um deficiente?” Ela disse que essa pesquisa é por amostragem, que o sistema (sempre ele – o sistema) é aleatório e ela não tem autonomia para acionar o questionário apropriado.
Ora, já disse em outros artigos: não é muito mais difícil contar a população toda de um a um? Por que não se pode perguntar: tem algum deficiente nessa casa? Só na minha rua somos dois. Na rua detrás são mais dois. Ninguém foi contato. Por que isso? Porque se descobrirmos que somos uns 40 milhões de pessoas e não os 25 milhões divulgados pelo IBGE, descobriremos que temos muita força, poderemos exigir, com mais poder, que se cumpram as leis que nos protegem, que se façam as políticas públicas determinadas pela nossa Constituição. Além do mais, a população poderá questionar o que causa tantas deficiências nas pessoas e acabar descobrindo que são: estradas ruins, violência desenfreada, doenças já erradicadas em outras nações, falta de sistemas de tratamento de água e esgoto etc…
Mas a falsa estatística também é ruim para a indústria. Diante de números exatos (e elevados) ela poderia desenvolver mais produtos para este público. Venderia mais e pagaria mais impostos, aumentando a já elevada sanha arrecadadora do Governo. Ou seja, a não correta contagem de quantos deficientes tem o Brasil é ruim para todos (ou quase todos…).
Um forte abraço

